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    Falta de tempo, desinformação e dificuldades de acesso são barreiras à vacinação de crianças, diz estudo

    Levantamento, que contempla entrevistadas de todas as regiões do país, também indica o quanto a compreensão do calendário de vacinação infantil pode ser desafiadora para as mães

    Pesquisa contou com a participação de 2 mil mães de crianças e adolescentes com idade até 15 anos
    Pesquisa contou com a participação de 2 mil mães de crianças e adolescentes com idade até 15 anos Cristine Rochol/PMPA

    Lucas Rochada CNN

    em São Paulo

    Pelo menos 6 em cada 10 mães brasileiras (66%) relatam que já atrasaram a vacinação dos filhos ou deixaram de imunizá-los por motivos como falta de tempo, distância entre sua casa e o local da aplicação, perda da carteirinha ou dificuldades para lembrar das datas das doses.

    Os dados são de uma nova pesquisa conduzida pelo Instituto Locomotiva, com a participação de 2 mil mães de crianças e adolescentes com idade até 15 anos. O levantamento, que contempla entrevistadas de todas as regiões do país, também indica o quanto a compreensão do calendário de vacinação infantil pode ser desafiadora para as mães.

    À pesquisa, 68% das participantes disseram que já se sentiram confusas sobre a imunização dos filhos. Esse achado se soma a outros dados da pesquisa que indicam a importância da busca por caminhos que façam a informação de qualidade chegar a esse público: 24% da amostra total da pesquisa considera elevado o seu conhecimento sobre o tema vacinas.

    Quando perguntadas sobre os motivos que mais atrapalham a vacinação infantil, as mães ouvidas pela pesquisa apontam, mais uma vez, a desinformação em relação ao calendário vacinal como o principal obstáculo (opção escolhida por 45% das entrevistadas). As notícias falsas aparecem antes mesmo de fatores relacionados ao acesso, como as dificuldades para chegar aos locais de vacinação (39%) ou a percepção de que os horários de funcionamento dos órgãos de saúde seriam restritos (39%).

    Como parte desse cenário de desconhecimento, 17% das participantes declaram sua falta de confiança nas vacinas. Na prática, 16% das mulheres ouvidas afirmam que não levam seus filhos para tomar todas as vacinas recomendadas para a faixa etária da criança. O levantamento foi realizado a pedido da Pfizer.

    Mães sobrecarregadas: faltam tempo e suporte

    Às dificuldades de informação sobre vacinas soma-se a sobrecarga materna como outro fator de impacto para a imunização pediátrica. A maioria das mães entrevistadas (56%) relata que, com as demandas do dia a dia, acaba esquecendo as datas de vacinação dos filhos.

    A rotina atribulada dessas mulheres também transparece nos cuidados que elas relatam com a própria saúde. Parte considerável da amostra (27%) indica que sua vacinação está desatualizada.

    Nesse contexto, quase metade (49%) das participantes da pesquisa declara ter dificuldades para gerenciar a carteirinha dos filhos. O índice sobe para 59% entre as responsáveis por crianças que estudam em escolas públicas e chega a 66% na região Norte do país.

    Diante desse desafio, 79% das mães ouvidas afirmam que gostariam de receber alguma ajuda para lembrar e organizar as datas de vacinação dos seus filhos. O indicador sobe para 83% entre as mulheres mais jovens, de 18 a 29 anos, e também é de 83% para o grupo das classes D/E.

    Impactos da desigualdade social

    Embora as dificuldades estejam presentes todos os diferentes grupos de mães contemplados pela pesquisa, o problema se acentua nas camadas mais vulneráveis, incluindo a população de menor renda.

    Se na amostra geral 36% das entrevistadas afirmam receber algum tipo de acompanhamento ou ajuda para lembrar das datas de vacinação das crianças, esse número sobe para 51% entre aquelas das classes A/B, mas cai para 25% entre as participantes da região Norte, por exemplo.

    Em outra frente, enquanto 35% das participantes da pesquisa indicam que já atrasaram a vacinação dos filhos ou deixaram de imunizá-los por residirem longe do local de vacinação, essa taxa sobe para 41% entre aquelas das classes D/E, chegando a 51% na região Norte.

    Também são as mães nortistas as que mais relatam a experiência de perder um dia de trabalho para poder levar a criança para se vacinar: a maioria delas (51%) já passou por essa situação, porcentual que fica em 45% na amostra geral da pesquisa.

    As regiões Norte e Nordeste concentram os municípios com os mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH), segundo dados oficiais.

    “Essas também são as regiões do País que apresentam os indicadores mais baixos de imunização infantil. Portanto, é importante considerar o impacto da desigualdade social dentro desse cenário para que possamos buscar soluções que ajudem a transpor cada um dos obstáculos enfrentados pelas famílias na imunização de suas crianças”, afirma o pediatra Renato Kfouri, presidente do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

    O impacto das desigualdades sociais também pode ser observado em relação ao acesso à informação, segundo a pesquisa. Enquanto 52% das mães das classes A/B consideram elevado seu conhecimento sobre vacinas, na outra ponta apenas 18% daquelas pertencentes às classes D/E têm a mesma percepção.

    Participação das escolas

    Na esteira dessas desigualdades, a pesquisa aponta que, com exceção da imunização contra a gripe, para todas as outras vacinas pediátricas, a declaração de adesão é maior entre as mulheres com filhos estudando em escolas particulares.

    Em meio aos obstáculos que dificultam a imunização das crianças, quase 9 em cada 10 mães entrevistadas (88%) afirmam acreditar que a escola poderia facilitar o acesso à vacinação infantil. A maioria dessas entrevistadas gostaria que a escola ajudasse a lembrar das doses previstas no calendário (79%) ou enviasse mais comunicados sobre vacinação (82%).

    Na opinião das mães ouvidas pelo levantamento, a possibilidade de vacinar os filhos dentro da escola seria uma medida ideal: essa é a opinião de 76% da população entrevistada, taxa que aumenta para 80% entre as participantes negras. Entre os benefícios, 8 em cada 10 mulheres apontam a redução no deslocamento. Assim, também para 76% das respondentes, essa diminuição ajudaria, inclusive, a economizar os custos associados ao trajeto.

    A hipótese de imunizar as crianças na escola é percebida pelas mães não apenas como uma medida em benefício próprio: 85% delas acreditam que essa alternativa colaboraria para aumentar a cobertura vacinal do país como um todo. Individualmente, caso essa alternativa fosse implementada, 77% das respondentes estão convencidas de que não atrasariam as vacinas de seus filhos.

    Além disso, 81% das mães dizem que se sentiriam seguras com a imunização no ambiente escolar se soubessem que a aplicação seria realizada por profissionais qualificados.

    Nesse contexto, quase todas as entrevistadas (91%) afirmam que provavelmente autorizariam os filhos a receber as doses na escola – dessas, 73% dizem que a decisão independeria, inclusive, do tipo de vacina ministrada.

    “A taxa de vacinação infantil no Brasil vem sofrendo uma queda importante nos últimos anos, deixando a população mais exposta a doenças que antes estavam sob controle, como o sarampo. Sabemos que essa questão foi agravada pela pandemia, mas estamos falando de um problema multifatorial, complexo, influenciado por vários elementos, sejam eles sociais, econômicos, comportamentais ou de informação. Por isso, com a nova pesquisa, propomos um olhar mais aprofundado desse cenário, como forma de contribuir para a busca de soluções que realmente possam transformar a situação”, diz a diretora médica da Pfizer, Adriana Ribeiro.

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