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    Do passaporte da vacina à Ficha Limpa: veja o que o STF deve julgar em 2022

    Suprema Tribunal Federal tem uma extensa agenda no primeiro semestre; algumas ações já estão há mais de uma década na Corte

    Marcelo Tuvucacolaboração para a CNN

    OSupremo Tribunal Federal (STF) retoma as atividades nesta terça-feira (1º) e os julgamentos na quarta-feira (2), com a pauta das sessões definida para o primeiro semestre de 2022.

    O STF decidirá sobre assuntos importantes, como a exigência do passaporte de vacina, a validade da tese do marco temporal sobre terras indígenas, a responsabilidade sobre conteúdos ofensivos na internet e a lei da Ficha Limpa.

    As sessões plenárias estão marcadas para quartas e quintas-feiras. Veja o calendário com a lista de julgamentos de destaque marcados para o primeiro semestre:

    2 de fevereiro

    Operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro durante a pandemia

    O primeiro tema a ser debatido no plenário neste ano é o pedido de esclarecimentos sobre o alcance da medida cautelar deferida para restringir a casos excepcionais as operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro durante a pandemia de Covid-19. Entre as divergências, estão a suspensão do sigilo de todos os protocolos de atuação policial no estado do Rio de Janeiro e a análise pelo Ministério Público Federal das alegações de descumprimento da decisão proferida pelo STF.

    O julgamento foi suspenso em dezembro. Já votaram o relator da ação, Edson Fachin, acolhendo em parte o pedido de esclarecimentos, e Alexandre de Moraes, que divergiu parcialmente de Fachin.

    Registro de federações partidárias

    Sob relatoria do ministro Luís Roberto Barroso, o STF julgará a liminar que determinou que as federações partidárias obtenham registro de estatuto até seis meses antes das eleições 2022 – ou seja, até 1º de março. O PT já pediu ao STF um prazo maior para constituir as federações partidárias, alegando não haver tempo hábil para que as legendas negociem a criação dos blocos.

    Negociação coletiva em demissões em massa

    Uma ação que discute a dispensa de mais de 4.000 funcionários da Embraer, em 2009, discutirá a necessidade de negociação coletiva antes de demissões em massa. O tema é de repercussão geral, o que significa que seu entendimento servirá como guia em casos semelhantes.

    A ação chegou ao STF em 2016, e o julgamento foi adiado em maio de 2021 após pedido de vista (mais tempo para analisar o caso) do ministro Dias Toffoli. Até então, o ex-ministro Marco Aurélio Mello, então relator, Alexandre de Moraes e Nunes Marques haviam votado, considerando não haver necessidade de negociação coletiva. Edson Fachin e Luís Roberto Barroso divergiram.

    3 de fevereiro

    Lei da Ficha Limpa

    O plenário avaliará a decisão do ministro Nunes Marques que suspendeu um trecho da lei da Ficha Limpa em dezembro de 2020, evitando que políticos condenados fiquem inelegíveis por mais de oito anos após o julgamento.

    A questão vale para decisões de órgão judicial colegiado ou aqueles que foram alvos de decisões que estejam em trânsito em julgado – ou seja, que não cabem mais recursos. Barroso divergiu da decisão de Nunes Marques; o julgamento foi suspenso em setembro com o pedido de vista de Alexandre de Moraes.

    9 de fevereiro

    Passaporte da vacina e exigência da vacina para funcionários

    São dois julgamentos importantes relacionados à vacinação: um sobre a determinação da exigência de comprovante de vacinação para quem chega do exterior ao Brasil – o “passaporte da vacina” – e outro sobre a medida liminar, deferida pelo ministro Luís Roberto Barroso, que suspende uma portaria do Ministério do Trabalho e Previdência que impedia as empresas de obrigarem seus empregados a se imunizar contra a covid-19.

    No caso do passaporte da vacina, o plenário julgará a decisão, também de Barroso, que estabelece a exigência da imunização ou uma quarentena obrigatória de cinco dias, seguido de um teste de RT-PCR para a detecção da doença após o período de isolamento, para o viajante que chegar ao Brasil.

    16 de fevereiro

    Extensão da licença-maternidade para pais

    O STF irá decidir se é possível estender o benefício da licença-maternidade de 180 dias a servidores públicos que sejam pais solteiros e se a extensão desse benefício aos homens está condicionada à indicação de fonte de custeio. O requerente da ação é o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e o tema foi considerado de repercussão geral; o relator é o ministro Alexandre de Moraes.

    17 de fevereiro

    Rachadinha de Silas Câmara

    O processo que chegou ao STF em 2013 define se houve o crime de “rachadinha” no gabinete do deputado federal Silas Câmara (Republicanos-AM). O relator é Luís Roberto Barroso.

    9 de março

    Recurso de Paulinho da Força

    O plenário do STF julga embargos de declaração contra a decisão que condenou o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (Solidariedade-SP), à pena de 10 anos e dois meses de reclusão, em regime inicial fechado, por crime contra o Sistema Financeiro Nacional, lavagem de dinheiro e associação criminosa, além da perda do mandato.

    O julgamento aconteceu em junho de 2020, na 1ª turma do STF. Em novembro daquele ano, Paulinho da Força ingressou com o recurso. A condenação foi defendida pelos ministros Luís Roberto Barroso, Luiz Fux e Rosa Weber; o relator Alexandre de Moraes e Marco Aurélio Mello votaram pela absolvição do réu.

    10 de março

    Julgamento da terceira ação contra André Moura

    O plenário retoma o julgamento do ex-deputado federal André Moura (PSC-SE), acusado de desviar veículos municipais e servidores públicos quando foi prefeito de Pirambu (SE). A votação está 5 a 5; o novo ministro da Corte, André Mendonça, desempatará o julgamento.

    Essa foi uma das três ações envolvendo o ex-deputado que o STF julgou, em conjunto, no ano passado. Nas outras duas, ele foi condenado, por 6 votos a 4, pelas acusações de peculato, formação de quadrilha e desvio e apropriação de recursos públicos. A pena é 8 anos e 3 meses de prisão em regime fechado e 5 anos de proibição para exercício de cargo público. O caso estava no Supremo desde 2011.

    16 de março

    Crime de ato obsceno em público

    Os ministros vão avaliar a constitucionalidade da tipificação do crime de ato obsceno em público. A relatoria é do presidente do STF, Luiz Fux.

    23 de março

    Competência da Justiça Militar

    Em uma ação que tramita no STF desde 2013, a Procuradoria-Geral da República contesta a competência da Justiça Militar para julgar crimes cometidos no exercício das atribuições das Forças Armadas em operações de garantia da lei e da ordem e combate ao crime.

    No julgamento, em 2018, o relator, Marco Aurélio Mello, e o ministro Alexandre de Moraes julgaram o pedido improcedente. Edson Fachin concordou com a contestação da PGR. O julgamento será retomado com o voto de Luís Roberto Barroso, que pediu vista do processo.

    Em 18 de maio, o plenário voltará a decidir sobre a competência da Justiça Militar, dessa vez para julgar civis em tempos de paz. O tema é debatido no STF desde 2013.

    Plenário do Supremo Tribunal Federal deve julgar os processos dos deputados Silas Câmara e Paulinho da Força em fevereiro e março/Adriano Machado/Reuters

    6 de abril

    Saúde primária de transexuais e travestis

    O plenário decidirá sobre a contestação de ações do Ministério da Saúde relativos à atenção à saúde primária de pessoas transexuais e travestis.

    O relator, Gilmar Mendes, já determinou, em liminar deferida em junho do ano passado, que o Sistema Único de Saúde (SUS) altere seus sistemas de informação para incluir atendimento médico agendado e realização de exames em pacientes transexuais e travestis, independentemente do sexo biológico apontado em seus registros civis.

    7 de abril

    Jogos de azar

    O plenário avaliará a legalidade de estabelecimentos de jogos de azar, hoje considerados contravenções penais. A relatoria do tema, que está no STF desde 2016, é do ministro Luiz Fux.

    12 de maio

    Recusa ao bafômetro

    O STF julgará a legalidade da regra do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) que classifica como infração a recusa do condutor de veículo de se submeter ao teste do bafômetro. A relatoria também é de Luiz Fux.

    2 de junho

    Fogos de artifício ruidosos

    O STF avalia a constitucionalidade de leis municipais que proíbem fogos de artificio e artefatos pirotécnicos ruidosos. A relatoria está com o presidente do Supremo, Luiz Fux. Em plenário virtual, em 2019, o STF havia considerado a lei constitucional. Agora, o tema será avaliado pelo plenário físico.

    8 de junho

    Prisão especial para portadores de diploma do ensino superior

    A ação discute prisão especial para portadores de diploma do ensino superior. A relatoria do caso, que chegou ao STF em 2015, é de Alexandre de Moraes.

    Nomeação de parentes para cargos políticos

    O plenário julgará um recurso, com repercussão geral, que discute a possibilidade de nomeação de cônjuge, companheiro ou parente, até terceiro grau, para o exercício de cargo político. O presidente Luiz Fux é o relator da ação.

    O presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, é relator de processos como os de jogos de azar e o de nomeação de parentes para cargos políticos / Fellipe Sampaio/SCO/STF

    9 de junho

    Competência dos municípios para instituir guarda civil

    Outro recurso com tema de repercussão geral, também relatado por Luiz Fux, será decidido pelo plenário. A ação discute se o município tem competência legislativa para instituir guarda civil para exercer policiamento preventivo e comunitário. O caso tramita no STF desde 2010.

    15 de junho

    Interceptações telefônicas

    O plenário discute a regulamentação e renovação das interceptações telefônicas. A ação, que se estende no tribunal desde 2005, tem Gilmar Mendes como relator.

    22 de junho

    Conteúdos ofensivos na internet

    O STF avalia a responsabilidade das empresas que hospedam sites e redes sociais na internet de fiscalizarem o conteúdo publicado pelos usuários e excluí-lo do ar quando for considerado ofensivo, sem a necessidade de apelação para a Justiça. São duas ações sobre o tema, de repercussão geral, com relato dos ministros Dias Toffoli e Luiz Fux.

    23 de junho

    Marco temporal sobre terras indígenas

    Um dos julgamentos de maior destaque no ano passado voltará ao plenário do STF pouco antes do recesso de julho: a validade ou não do marco temporal sobre terras indígenas. De acordo com essa tese, a demarcação de uma terra indígena só pode acontecer se for comprovado que os povos estavam sobre o espaço requerido antes de 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal. O marco temporal é defendido por ruralistas e combatido pelos indígenas.

    Considerado tema de repercussão geral, a ação tramita no STF há cinco anos. O julgamento, suspenso em setembro de 2021 após pedido de vista de Alexandre de Moraes, está empatado em 1 a 1, com votos do relator Edson Fachin, contrário ao marco temporal, e Nunes Marques, que apoiou a tese.

    Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
    Em ano eleitoral, TSE terá três presidentes / Antonio Augusto/Secom/TSE

    TSE também volta de recesso nesta semana

    OTribunal Superior Eleitoral retoma as atividades nesta terça-feira (1º) com o julgamento de ações relativas à prestação de contas eleitorais, desfiliação partidária e perda de cargo eletivo e registro de partidos políticos, entre outros temas.

    Será um ano movimentado na Corte, que terá três presidentes em 2022: Luís Roberto Barroso, Edson Fachin (entre fevereiro e agosto) e Alexandre de Moraes, que estará à frente do TSE até o fim do ano – ou seja, durante as eleições gerais, em outubro.

    Além de decidir sobre diversas questões relacionadas ao pleito, como o registro e eventual impugnação de candidaturas, o TSE também se preocupa com temas como a disseminação de notícias falsas e do discurso de ódio.

    O tribunal pode analisar o bloqueio, no Brasil, do aplicativo de comunicação Telegram. Segundo o TSE, “é por meio do Telegram que muitas teorias da conspiração e informações falsas sobre o sistema eleitoral estão sendo disseminadas sem qualquer controle”. Ao mesmo tempo, o aplicativo não possui representação jurídica no Brasil, o que dificulta a comunicação da empresa com os tribunais.

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