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    Enfermeiros reusam máscaras descartáveis em hospitais Nova York, diz brasileiro

    'Antigamente, essas máscaras só podiam ser usadas uma vez. Devido a falta, temos que reutilizar', conta Saulo Peres

    Núria Saldanha e Fernando Henrique

    da CNN, em Washington e em Nova York

     
    Quando começou a trabalhar como enfermeiro em uma unidade de tratamento intensivo em Nova York, há cinco anos, o brasileiro Saulo Peres não imaginava que enfrentaria uma pandemia tão grave como a do novo coronavírus sem equipamentos de proteção. E quem poderia imaginar que isso aconteceria na principal cidade do país mais rico do mundo?

    Com uma população de aproximadamente 8,5 milhões de pessoas, Nova York é o principal foco do vírus nos Estados Unidos. A cidade de alta densidade demográfica, tem apenas 20 mil leitos hospitalares e enfrenta problemas para tratar as milhares de pessoas infectadas pelo coronavírus ao mesmo tempo. Faltam leitos, aparelhos de ventilação mecânica e até máscaras para profissionais de saúde que trabalham na linha de frente da batalha contra a COVID-19. 
     
    “A gente está vivendo uma situação muito complicada aqui, porque faltam muitos equipamentos de proteção, o que faz a gente se sentir muito vulnerável e inseguro”, diz Peres.
     
    No hospital em que Peres trabalha, profissionais de saúde chegaram a receber apenas duas máscaras N-95, que filtra 95% das partículas transportadas pelo ar, por semana: uma na segunda-feira e outra apenas na quinta-feira. Os itens descartáveis são carregados em sacos plásticos e reaproveitadas para centenas de atendimentos durante os dias, colocando em risco a vida dos pacientes e dos próprios profissionais de saúde.

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    “Antigamente, essas máscaras só podiam ser usadas uma vez. Devido a falta, temos que reutilizar. A gente não sabe o quão eficazes essas máscaras estão sendo para gente”, diz o enfermeiro. 
     
    A escassez de recursos para lidar com o coronavírus é tamanha, que o hospital tem economizado até mesmo em testes. Se os funcionários não apresentam sintomas, seguem trabalhando normalmente. No hospital em que Peres trabalha, médicos e enfermeiros chegaram a ser afastados após testarem positivo para a COVID-19. 
     
    Ele conta ainda que teme voltar para a casa com o novo coronavírus e contaminar os filhos e a esposa, que faz parte do grupo de risco por ter asma.
     
    “Eu nunca tinha passado por uma situação assim antes, é muito difícil. É uma situação que exige muito da gente, tanto fisicamente quanto psicologicamente, mentalmente a gente está exausto.” diz Peres. “Isso tudo influência a minha vida e o meu dia a dia. Eu estou querendo salvar vidas, mas será que eu quando voltar para vou trazer algo para minha família?”

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