betway

#CNNPop

“O Auto da Compadecida 2” terá trama original, mas respeitará universo de Suassuna

Diretor do longa, Guel Arraes, falou com a CNN durante a CCXP23 neste sábado (2)

Selton Mello e Matheus Nachtergaele na CCXP23
Selton Mello e Matheus Nachtergaele na CCXP23 Lucas Lopes/CNN

Pedro N. Jordãoda CNN

São Paulo

O filme “O Auto da Compadecida 2” terá trama original, mas respeitará o universo lírico de Ariano Suassuna. A afirmação foi feita pelo ator Selton Mello, um dos protagonistas, em um painel da CCXP23 neste sábado (2).

ÀCNN, o diretor do longa, Guel Arraes (“Lisbela e o Prisioneiro”; “Caramuru: A invenção do Brasil”; “O Bem-Amado”), disse que sentiu dificuldade em fazer a continuação de um clássico da literatura e do cinema brasileiro.

“É muito comum, no cinema, ter as continuações. “Homem-aranha” e tal. Mas, aqui, a diferença, a responsabilidade que a gente sentiu é de estar dando continuação a uma história clássica. É como pegar ‘O Avarento’, de Molière, e fazer O Avarento 2. [É como fazer] Hamelet 2, do Shakespeare”, comentou.

Apesar de estar presente no evento, Arraes ficou na plateia, apenas acompanhando a divulgação feita pelo elenco: Matheus Nachtergaele (João Grilo), Taís Araújo (Nossa Senhora) e Mello (Chicó).

“Só uma cópia iria ficar uma coisa insossa, e nós não iríamos ser fiéis. A nossa tentativa foi de nos superar para fazer uma continuação original que valesse a pena, que tentasse se equiparar ao original, mas, em cima de ombros de gigantes, que é o Ariano Suassuna”, completou o diretor.

Guel Arraes foi elogiado pelo elenco do filme, pelos filmes que já dirigiu e pelo trabalho que vem fazendo na sequência do “Auto da Compadecida”.

“Precisava ser fiel ao original e trazer a nossa contribuição também, a nossa experiência de roteirista, nossa vivência do Nordeste, para que fosse realmente algo original”,

Primeiras imagens de Nossa Senhora negra

Os atores confirmaram que a sequência terá uma Nossa Senhora negra, interpretada pela atriz Taís Araújo.

Ela substituirá Fernanda Montenegro no papel. No primeiro filme, baseado no livro homônimo de Suassuna, Jesus já era interpretado por um negro, o ator Maurício Gonçalves.

“Eu conversei com a dona Fernanda. A gente conversou sobre a Nossa Senhora e sobre a importância dela ter muitas representações. Ela é a nossa grande dama do cinema brasileiro. Não daria para substitui-la. Então, estamos fazendo uma outra Nossa Senhora”, disse Thais Araujo.

A atriz ainda afirmou que há sub-representatividade de homens e mulheres negros no cinema brasileiro e destacou a importância desse tipo de representatividade ser ampliado.

“A gente não quer ser preto só de uma única maneira. Isso tira a nossa subjetividade. Não! Nós somos muitos. A sub-representatividade da mulher preta é muito maior, até nos filmes que falam de favela”, disse Taís.

“Não é transformar a gente em uma mazela. Nós somos a riqueza deste país”, declarou.

João Grilo e Chicó fizeram história

Após serem ovacionados pela plateia da CCXP23, os atores contaram o impacto da fama do primeiro filme na vida deles.

“Eu não posso mais falar ‘não sei’ [que as pessoas completam]”, disse Mello fazendo referência ao bordão de Chicó: “Não sei, só sei que foi assim” (veja o vídeo abaixo).

Chicó finaliza o primeiro teaser do filme, que foi exibido no evento com exclusividade, dizendo sua famosa frase.

“Eu sei que se eu ficar na sarjeta um dia, vai aparecer alguém pra me puxar de lá: ‘Esse aqui não, vem, João Grilo'”, disse Nachtergaele por sua vez.

Vídeo – “Não posso mais falar ‘não sei'”, brinca Selton Mello sobre bordão do personagem Chicó

betway Mapa do site