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    Iuri Pitta

    Iuri Pitta

    Jornalista, mestre em administração pública e governo e professor universitário. Atuou como repórter, editor e analista em coberturas eleitorais desde 2000

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    Em 2024, o Brasil verá eleições polarizadas ou “emendadas”?

    Partidos com maior número de prefeituras atualmente não são PT nem PL, e eles não querem perder o posto

    Em 2024, o Brasil verá eleições polarizadas ou “emendadas”?
    Em 2024, o Brasil verá eleições polarizadas ou “emendadas”?

    Neste 2024 em que algumas das maiores populações do mundo irão às urnas – apesar de nem todos esses países serem democracias de fato –, 155 milhões de eleitores brasileiros vão escolher 5.569 prefeitos e mais de 15 mil vereadores entre prováveis meio milhão de candidatos.

    Cifras tão grandiosas fazem com que as eleições municipais brasileiras sejam das mais complexas de se acompanhar e analisar de forma sistêmica. Ainda assim, é possível encontrar as ideias-força que mobilizam o eleitorado a cada quatro anos para extrair hipóteses sobre o comportamento político (dos brasileiros e dos partidos).

    Se há quem veja na votação de outubro próximo um “terceiro turno” entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL), o volume sem precedentes de recursos destinados aos municípios pelas emendas parlamentares passa a ter um peso não só orçamentário, mas essencialmente político, que não pode ser ignorado, mesmo depois da eleição presidencial mais disputada desde a redemocratização.

    Em 2023, ano anterior às eleições municipais, deputados e senadores despejaram em quase todas as cidades o valor recorde de R$ 18,29 bilhões em emendas individuais ao Orçamento federal – no ano anterior, haviam sido R$ 8,579 bilhões. Foram atendidas 5.482 cidades (98% do total), a um valor médio de R$ 3,3 milhões por localidade.

    Quando se consideram apenas as transferências especiais, nome que a burocracia dá ao que ficou conhecido como emendas Pix, passamos a falar de R$ 8,15 bilhões destinados a 4.819 municípios, média de R$ 1,7 milhão. Dinheiro que entra diretamente no caixa das prefeituras, sem uma destinação ou uma obra específica.

    Os partidos com maior número de prefeituras atualmente não são PT nem PL, polos da disputa entre Lula e Bolsonaro. Informações das próprias siglas mostram que PSD (com cerca de 1.100 prefeitos), MDB (869) e PP (752) lideram esse ranking atualmente. Em entrevistas recentes à CNN, os dirigentes dos três partidos deixaram claro que entram em 2024 mobilizados para se manterem nessa posição.

    Brasil afora, quem gasta sola de sapato pelos pequenos municípios sabe que os recursos das emendas são um incremento e tanto aos orçamentos dessas cidades. E quem percorre os corredores do Congresso Nacional e da Esplanada dos Ministérios sabe que não existe emenda grátis.

    É inegável que a polarização já tem dado o tom em alianças e declarações públicas nas disputas sob maior holofote, seja em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro, seja nas cidades com mais de 200 mil eleitores.

    Mas não se deve desprezar os efeitos das emendas no tabuleiro de 2024. Mais prefeitos eleitos neste ano são um passo importante – ainda que não seja garantia total – para ter mais deputados em 2026.

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